Há certos momentos em que a vontade é de fechar os olhos e desaparecer. Desaparecer daqui, dali, de qualquer lugar físico que eu possa estar. De esquecer quem sou, o que fui, o que quero ser. Ser nada, ser aquilo que nunca existiu, nunca respirou, nem ao menos nasceu. Há os momentos em que nada do que cruza a mente faz sentido, e a dor que carrego no meu peito me deforma, me derruba, me despedaça, até mesmo, me enlouquece. O corpo treme, a voz não sai, o ar se torna pesado, o mundo desaparece e a força desbrava deixando qualquer parte do meu corpo; dos olhos, das pernas, das mãos, da cabeça e daquilo que se chama coração. Há momentos de descontrole, de um peito que já não se sente. Para onde toda calma vai? E a razão? E a tranquilidade? E a serenidade? Há momentos em que tentativa alguma de explicações é capaz de cessar o que vem de dentro, aquilo que aflora, que grita, ao me fazer calar. Há momentos em que a angústia, a saudade, a dúvida e a incoerência imperam, e sempre, de companhia, está o medo.